'Destinos Roubados': série sobre feminicídio em MT será reexibida em versão especial após Jornal da Globo

  • 05/06/2026
(Foto: Reprodução)
Destinos Roubados: série documental traz relatos de mulheres vítimas da violência A série documental "Destinos Roubados – A Epidemia do Feminicídio", produzida pela TV Centro América, será reexibida em Mato Grosso nesta sexta-feira (5), em uma versão especial e compacta, após o Jornal da Globo. O programa reúne os cinco episódios exibidos anteriormente no Bom Dia Mato Grosso. O documentário aborda a violência contra a mulher e o feminicídio por meio de histórias reais, relatos de familiares e sobreviventes, além de entrevistas com especialistas e autoridades que atuam no enfrentamento desse tipo de crime. A produção também apresenta dados sobre a violência de gênero em Mato Grosso, estado que lidera proporcionalmente os registros de feminicídio no país. Ao longo dos episódios, são discutidas as causas da violência, o funcionamento da rede de proteção e os serviços disponíveis para mulheres em situação de risco. 🎬 Produção A direção do projeto ficou a cargo da jornalista Ariane Locatelli, que também assinou o roteiro da série. Marcos Salesse A série foi produzida ao longo de dois meses e reuniu dezenas de entrevistas, horas de gravação e uma ampla equipe de profissionais envolvidos em todas as etapas da produção. A direção do projeto ficou a cargo da jornalista Ariane Locatelli, que também assinou o roteiro e a edição ao lado de Tiago Terciotty. Para Ariane, um dos maiores desafios da produção foi abordar histórias marcadas por traumas profundos com a sensibilidade necessária para tratar a dor das vítimas e de seus familiares. Segundo ela, muitas mulheres e famílias aceitaram reviver momentos difíceis porque acreditam que compartilhar suas experiências pode ajudar a evitar novos casos de violência. "Elas queriam alertar outras mulheres. Ficou muito evidente a preocupação em mostrar como a violência começa, muitas vezes, de forma silenciosa, com palavras, controle e comportamentos abusivos, antes de chegar às agressões físicas", afirmou a diretora. A responsabilidade de produzir um material sobre feminicídio também impactou a produtora Emilly Rocha. Para ela, participar do projeto foi uma experiência marcada tanto pelo compromisso de levar informação e conscientização à sociedade quanto pelo impacto emocional das histórias retratadas. Segundo a produtora, o contato com as entrevistadas e a escuta de relatos de violência exigiram sensibilidade e atenção de toda a equipe ao longo da produção. "É um tema muito sensível e que me atravessa profundamente. Ouvir o depoimento e a história de cada entrevistada foi algo que me marcou bastante. Conheci mulheres fortes e corajosas e também tive a oportunidade de trabalhar ao lado de uma equipe muito comprometida com a importância desse tema", afirmou. Como jornalista e mulher, Ariane diz que o projeto teve um impacto pessoal profundo. Segundo ela, a série nasceu da inquietação diante dos altos índices de feminicídio registrados em Mato Grosso e da necessidade de ampliar o debate sobre o tema. "É um assunto que sempre me causou indignação. Como jornalista, senti que precisava fazer algo para contribuir com essa discussão. E, como mulher, é impossível não se sentir impactada. Qualquer uma de nós pode ser vítima. Por isso, informar, conscientizar e cobrar mudanças é tão importante", concluiu. O documentário também contou com a participação dos repórteres cinematográficos Lello Nascimento, Carlos Renato, Marcelo Souza e Sérgio Gouvea. A edição foi realizada por Lucas Weimer e Rafael Murillo. A produção do material ficou sob responsabilidade de Emilly Rocha e Carla Salentim, enquanto o videografismo foi desenvolvido por Ney Oliveira, Fernando Barah e Junior Kavano. Inovação Além dos relatos de vítimas, sobreviventes e familiares, o documentário apresenta conteúdos voltados à conscientização da sociedade e à discussão de estratégias para reduzir os índices de feminicídio. Para reconstituir algumas histórias retratadas na série, por exemplo, a equipe utilizou recursos de inteligência artificial na criação de imagens. Para o chefe de redação da TV Centro América, Gustavo Arakaki, o uso da IA na geração de imagens que ilustram parte dos depoimentos apresentados no documentário contribui para dimensionar a gravidade das experiências relatadas pelas vítimas. "A IA foi utilizada como uma ferramenta de inovação para ampliar as possibilidades da linguagem visual do documentário. Ela permitiu ilustrar situações sem registros de imagem, contribuindo para a compreensão do público e complementando os relatos apresentados. O recurso foi aplicado de forma responsável, como instrumento de conscientização e alerta ao público", afirmou Gustavo. O projeto foi encerrado com um fórum realizado em parceria com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que reuniu autoridades, especialistas e representantes de instituições públicas para debater medidas de enfrentamento à violência contra a mulher. O encontro resultou na assinatura de uma carta-compromisso com propostas e ações voltadas ao combate desses crimes. 📺 Episódios Ao longo da série, especialistas explicam os sinais que podem anteceder o feminicídio, como o controle excessivo, as ameaças, o isolamento e as agressões psicológicas. O conteúdo também reforça a importância das denúncias, das medidas protetivas e da atuação rápida da rede de apoio para evitar que a violência evolua para crimes mais graves. A produção ainda aborda as consequências da violência que permanecem mesmo após o fim das agressões. Mulheres que sobreviveram a relacionamentos abusivos relatam o processo de reconstrução da autoestima, da autonomia e da própria vida após anos de violência. Outro tema tratado pelo documentário é a violência psicológica. A série mostra como esse tipo de agressão pode ocorrer de forma silenciosa, sem deixar marcas físicas, mas causar danos profundos à saúde emocional das vítimas por meio de manipulação, humilhações e controle constante. Os sinais que podem anteceder o feminicídio Como denunciar e buscar ajuda A reconstrução da vida após a violência As marcas invisíveis da violência 🚨Como pedir ajuda? Interface do aplicativo 'SOS Mulher MT' Reprodução O aplicativo 'SOS Mulher MT' é uma das alternativas criadas para ajudar vítimas de violência doméstica em Mato Grosso. O aplicativo conta com um botão do pânico, por meio dele a vítima pode fazer um pedido de socorro quando o agressor descumprir a medida protetiva. O Botão do Pânico virtual está disponível, por enquanto, nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis. Nos outros municípios do estado, a plataforma pode ser acessada para as outras funções, como direcionamento à medida protetiva online, telefones de emergência, endereços das Delegacias da Mulher, Plantão 24h, denúncias sobre violência doméstica e também acesso à Delegacia Virtual para registro de ocorrências.

FONTE: https://g1.globo.com/mt/mato-grosso/noticia/2026/06/05/destinos-roubados-serie-sobre-feminicidio-em-mt-sera-reexibida-em-versao-especial-apos-o-jornal-da-globo.ghtml


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